‘O blues nunca vai morrer’
O cenário do blues nacional é uma terra de pioneiros, afinal, o gênero começou a se firmar por aqui no final da década de 1980 representando por artistas como André Christovam, Celso Blues Boy, Zé da Gaita, a banda Blues Etílico e perdoem-me os outros desbravadores do gênero musical na Terra Brasilis não citados nessa breve lista.
Acredito não cometer uma grande heresia em incluir nessa galeria um artista cujos ouvidos, corpo e alma foram capturados pela música de oito compassos. Refiro-me ao gaitista Jefferson Gonçalves, ex Baseado em Blues.
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Veja a performance do grupo no Natu Nobilis Blues Festival _ Porto Alegre, 2003 _ em uma suingada interpretação de ‘Como Vovó Já Dizia’, de Raulzito Seixas.
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Ativo em todo o circuito nacional de festivais e encontros que promovem o gênero, Jefferson, que hoje mantém uma base de atividades no Nordeste, entre uma soprada e outra, respondeu por e-mail às perguntas abaixo. Com vocês, meninas e meninos, JG.
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Quando e de que forma se deu o seu primeiro encontro com o Blues?
Na verdade primeiro comecei a tocar gaita, como não conhecia muito comecei na cromática achando que um dia ia tocar como os LPs que escutava com gaita: Led Zepellin, Ney Young, Dylan, etc..
Com seis meses de aulas de cromática comecei a estudar gaita diatônica com Flávio Guimarães e assim conheci os gaitistas de Blues como Little Walter, Sonny Boy, Sonny Terry e na mesma época assisti o filme Encruzilhada.
Por que a gaita, o que o levou a escolher esse instrumento?
Sempre gostei do som da gaita, quando escutava algum LP que tinha gaita eu ficava fascinado.
Qual a conexão possível entre o blues, de origem afro-norte-americana, e os ritmos regionais nordestinos, com marcante influência Ibérica, que você vem pesquisando?
Na minha opinião é a mesma coisa, a raíz é a mesma, música negra ou seja ÁFRICA! Sempre brinco nos shows dizendo que sairam duas embarcações da África, uma veio para o Brasil e outra para os Estados Unidos, os negros chegaram nesses locais com a mesma cultura e lá absorveram coisas de cada região criando assim novos estilos e músicas, mas a base é a mesma, música negra.
Qual o futuro do blues?
Se misturar e modernizar, assim como foi feito em Chicago quando largaram os violões acústicos e começaram a eletrificar o som, muita coisa mudou, acho que é isso que está acontecendo, o blues está em toda a parte, dentro da música POP, Rock, Country, etc…
Se você pegar o trabalho de Robert Cray, Coco Montoya, Johnny Lang, e outros. Todos eles estão tocando blues, mas um blues moderno com cara NOVA, contando o dia a dia do MOMENTO, não de 100 anos atrás.
Eu acho que o público de blues é muito CARETA, muito PURISTA, não tem como fazer blues com a cara de 1920, muita coisa mudou, muita coisa evoluiu, por que não misturar e criar uma nova sonoridade?
O blues nunca vai morrer, ele vai é sempre evoluir e se modernizar conforme o tempo. O público que se diz FIEL ao blues é que tem que ABRIR os ouvidos e mentes, deixar o purismo de lado e ouvir essas novas misturas e sonoridades da nova geração.
Saideira » Escute e veja performance de Jefferson em um ataque ao instrumento que me tirou o fôlego só de assistir. I love that music!



ótima entrevista e solo maneiríssimo no Youtube.
Valeu!!!
MUITO BOA A SUA ENTREVISTA JEFFINHO!!!!
PAPAPARABÉNS!!!
Aeeeee
Lembra dos 80 anos da hering no Ibirapuera.
Vc mandou bem …..junto com Robson e a turma toda..
Tudibommmmm…..Tudibluesssss……Tudigaitasss
Abração véio Vallim