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Sonny Boy Wiliamson II

A compilation of Sonny Boy Williamson II biography. Article in Portuguese.


__O texto abaixo foi escrito com exclusividade para brBlues por Antonio Carlos Cabrera, editor do site Sonny Boy Williamson II – The King of Harmônica

Na minha opinião Sonny Boy foi e ainda é o maior gaitista de blues de todos os tempos, uma vez que, diferente de outros bluesmen, não teve mestres, nem inspiradores: forjou seu estilo sozinho. Autodidata, aprendeu gaita ouvindo e tocando polcas, valsas, marchas, worksongs nas ruas de Glendora, no Mississippi. Seu estilo é caracterizado por um vibrato inconfundível, com texturas graves e um fraseado curto e objetivo nos solos.
Sonny Boy ia direto ao ponto, sempre no momento certo, sem pecar por exageros ou omissões. A marca registrada de Sonny era o “balanço de cabeça”, técnica que consiste em aspirar ou soprar a gaita, enquanto movimenta-se a cabeça de um lado para o outro. Sonny foi o primeiro a usar esse recurso em suas músicas.
O maior influenciado por Sonny Boy, sem dúvida, foi James Cotton , tutelado por Sonny até a idade de 16 anos. Tratado como filho e discípulo, herdou todas as firulas e macetes do mentor musical. Cotton até hoje reverencia a imagem de Sonny Boy como a de um deus da gaita e um mestre inesquecível.
A mesma sorte não teve Junior Wells que procurou Sonny pedindo a ele que o ensinasse a tocar a harmônica. Sonny pediu uma garrafa de whisky como pagamento pela primeira aula. Após beber toda a garrafa, tocou algumas frases para Wells ver como ele fazia. Wells não conseguir reproduzir o que Sonny havia tocado e pediu para Sonny tocar novamente. Sonny ficou irado (o que era comum), sacou seu canivete e disse para Wells sumir, senão ele o mataria ali mesmo.
Junior Wells carregou essa mágoa por toda a vida e muito tempo depois, em 1961, em Chicago, Wells encontrou Sonny bebendo num bar. Wells iria tocar no bar aquela noite. Wells subiu ao palco, fez um show magnífico, tocando como nunca havia tocado antes e se dirigiu em seguida à mesa de Sonny Boy dizendo: “E agora? Eu toquei certo ou você vai sacar o canivete novamente?” Sonny Boy olhou para ele sorrindo e disse: “Sente-se e beba comigo. Vou te explicar uma coisa, garoto, você nunca seria um grande gaitista se tentasse me imitar. Veja, hoje você é grande e não é igual a mim. Você tinha que seguir seu próprio caminho”.
Junior Wells acabou por perdoar Sonny Boy e se tornaram amigos. Posteriormente Wells homenageou o então já falecido Sonny Boy com algumas gravações geniais que incluíam entre outras músicas, o clássico Help me.
Origens – É comum que se confunda Sonny Boy Williamson II (Rice Miller), com o primeiro Sonny Boy (John Lee Williamson), morto em 1949 durante uma briga de jogo.
S. B. Williamson II nasceu por volta de 1915, embora os registros oficiais situem seu nascimento por volta de 1895. Sonny era filho bastardo e seu pai adotivo tinha sérios problemas de relacionamento com ele, o que justifica a sua saída precoce de casa aos 14 anos.
Na melhor tradição dos homens do blues, rodou as estradas dos Estados Unidos, do Texas até a Flórida, por todo o sul do país, entre 1930 e 1960. Presenciou a morte de Robert Johnson que, segundo Sonny, morreu em seus braços uivando como um cachorro louco. Nos anos 60 chegou a Europa e ganhou o status de ídolo nacional na Inglaterra, permanecendo por lá por dois anos.
Existem grandes mistérios sobre a vida de Sonny Boy Williamson, um deles é por que ele havia adotado o nome de um artista já falecido, o primeiro Sonny Boy Williamson (John Lee Wiliamson). A resposta só surgiu em 1997 das mãos do pesquisador William E. Donoghue. Rice Miller, verdadeiro nome de Sonny, havia sido preso por roubar uma mula preta de uma fazenda. Para não ser apanhado, pintou a mula de branco.
Porém a mula descorou com o suor e a chuva e Rice Miller acabou indo para a prisão de Angola, a mais terrível prisão para negros do sul dos EUA. Apesar do crime ser algo pequeno, Rice Miller pegou uma pena longa pois era negro. Miller conseguiu fugir de lá e quando começou a fazer seu programa na rádio KFFA de Helena, teve que arrumar um outro nome para não ser identificado e preso. Escolheu o nome de um músico famoso em todo o sul dos EUA e que havia falecido, porém sua morte não tinha sido amplamente divulgada. Nascia aí o mito Sonny Boy Williamson II.
Apesar do seu grande talento e pioneirismo, apenas gravou seu primeiro disco aos 51 anos de idade e virou lenda na Europa dos anos 60, sendo cortejado por Eric Clapton , Eric Burdon, Jimmy Page, entre outros.
As gravações de Sonny Boy estão distribuídas por várias gravadoras ao redor do mundo, dentre elas, Arhoolie, Evidence, Alligator, Chess, Charly, Movieplay, MCA, Paula, Jewel, Storyville (Austria), sem contar as gravações que estão em poder de colecionadores.
No Brasil, há apenas um título em catálogo no momento chamado “His Best”, que pode ser encontrado nas grandes lojas como FNAC e Saraiva. Para saber mais sobre o artista visite o site oficial de Sonny Boy em http://www.sonnyboy.com

  1. janeiro 30, 2010 às 4:38 pm | #1

    Excelente resenha. Compartilho da opinião: pra mim ele foi o melhor. Esse cara tinha e essência do blues.

    • fevereiro 1, 2010 às 5:02 pm | #2

      Muito obrigado pelo comentário! Estamos também abertos a críticas e sugestões.

      Mr. brBlues

  2. Rafael Ramalho
    maio 28, 2011 às 6:59 pm | #3

    Ele é o melhor !!!!!!

  1. fevereiro 11, 2010 às 5:04 pm | #1
  2. março 29, 2010 às 10:31 pm | #2

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